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Este
grupo de Curitiba demonstra neste projeto que traz como inspiração
primordial o fandango paranaense denunciado no uso percussivo de
tamancos que perfazem várias das composições. Tanto é, que o calçado
mereceu até uma composição especial, propriamente batizada de “Tamanco”.
Buscando uma sonoridade própria e inovadora, o Grupo Fato recorta
elementos do pop, do samba e da música erudita para incutir sua
própria concepção musical. Entre as canções, destacam-se “Órgãos
Geniais” com letra e arranjo impecáveis.
Nesta faixa, mesclam-se instrumentação e
efeitos eletrônicos permeados por palmas, em uma espécie de maracatu
amparado pelo pop, lembrando Chico Science em muitos momentos.
Outra referência importante é Novos Baianos, que parecem ser relembrados
em algumas concepções guitarrísticas e, obviamente, no estilo híbrido
que se constrói a partir da fusão entre a música brasileira e as
influências estrangeiras.
Destaca-se também a faixa “Lado Dois”, com
um groove oscilante criado por Ulisses Galetto em seu baixo
fretless, e interpretada pela linda voz de Grace Torres. Aliás, se
há algo absolutamente irrepreensível neste disco são as vozes femininas,
tanto de Grace como de Priscila Graciano, ambas absolutamente bem
colocadas. Da mesma forma, a bateria aparece no disco repleta de funções
orquestrais, acentuações e ataques enfáticos que consideram o conteúdo
das letras. Sempre movimentada e aproveitando o silêncio, a cozinha
rítmica é criativa e coesa.
Pela inventividade, na tentativa de gerar
algo que seja minimamente novo, o Grupo Fato merece o respeito que hoje
tanto se reluta dar. Dentro da abrangência que o grupo soube oferecer ao
fenômeno da poesia, tratando-a em seu som e em seu ritmo, com execuções
mais do que competentes, parece, e não se pode achar outra coisa, que o
grupo caminha com os passos certos. O CD está disponível no site
www.fato.org
(Nicolas Brandão)
Revista Batera, edição 115 - Abril/2007 |